Há 21 dias, familiares e amigos vivem a angústia de não saber onde está Monique Oliveira Fernandes, de 33 anos, desaparecida desde o dia 30 do mês passado, em São José do Calçado.
Durante o dia, o Café com Política ES conversou com familiares, amigos e pessoas próximas à mulher. Os depoimentos revelam versões diferentes sobre os acontecimentos que antecederam o desaparecimento, aumentando ainda mais o mistério em torno do caso.
Ex-companheiro foi quem avisou a mãe sobre o desaparecimento
Embora Monique estivesse morando com o companheiro Mário Almeida Pinto, quem informou a mãe dela sobre o desaparecimento foi o ex-companheiro, João Elias Silva, pai dos dois filhos da mulher.
Silvana dos Santos Oliveira, mãe de Monique, mora em Tombos (MG). Assim que recebeu a notícia, viajou para São José do Calçado para tentar descobrir o que aconteceu com a filha.
Segundo João Elias, ele só tomou conhecimento do desaparecimento após ser avisado por Aline Oliveira, amiga de Monique.
"Foi a Aline quem me chamou no Facebook dizendo que a Monique estava desaparecida. Como tenho dois filhos com ela, minha atual companheira disse que eu deveria ajudar nas buscas. A partir daí comecei a procurar informações sobre o que havia acontecido", contou.
João também afirmou que Mário lhe explicou que não havia conseguido avisar a família de Monique porque ela teria quebrado o celular dele durante um desentendimento, fazendo com que perdesse os contatos armazenados.
Ainda segundo João, Mário informou que buscaria imagens de uma câmera de monitoramento de uma residência vizinha que teria registrado a saída de Monique no dia do desaparecimento.
"Ele disse que conseguiria as imagens da câmera mostrando ela saindo de casa, mas até hoje esse vídeo não foi apresentado", afirmou.
O ex-companheiro também declarou que, durante os oito anos em que conviveu com Monique, ela nunca permaneceu tanto tempo sem dar notícias.
Amiga diz que Monique enfrentava uma crise emocional
O Café com Política ES também conversou com Aline Oliveira, amiga de confiança de Monique.
Segundo ela, a mulher enfrentava um período delicado, agravado pela falta dos medicamentos controlados que utilizava para tratamento de depressão.
Aline contou que havia conversado com Monique um dia antes do desaparecimento.
"Ela estava bebendo e me disse que já havia decidido sair de casa. Também comentou que o marido dizia que tiraria a própria vida caso ela fosse embora", relatou.
A amiga apresentou à reportagem uma conversa por aplicativo de mensagens. No diálogo, Monique afirma que suas malas já estavam prontas, mas diz que ainda havia algo que a impedia de deixar a residência.
Discussão teria começado após descoberta de conversa no celular
Durante a entrevista, Aline afirmou que Monique teria descoberto, cerca de um ano atrás, uma conversa entre o companheiro e outra mulher.
Segundo ela, Monique acreditava que o perfil pudesse ser falso e que a conversa teria como objetivo obter informações sobre sua vida.
"Ela ficou muito abalada porque nessa conversa havia comentários ofensivos contra ela. Foi durante essa discussão que ela teria quebrado o celular do Mário", disse.
De acordo com Aline, Monique já enfrentava um quadro de depressão, e a situação teria agravado seu estado emocional.
Mãe diz que descobriu informação falsa sobre boletim de ocorrência
Silvana dos Santos Oliveira afirmou que, ao chegar a São José do Calçado, conversou com Mário, que teria informado já ter registrado um boletim de ocorrência comunicando o desaparecimento.
No entanto, segundo ela, ao procurar a Delegacia de Polícia Civil, recebeu uma informação diferente.
"Fui até a delegacia e perguntei se havia algum registro do desaparecimento da minha filha. Disseram que não existia nenhum boletim. Foi aí que descobri que essa informação não era verdadeira", contou.
Ainda de acordo com Silvana, posteriormente a polícia solicitou que Mário comparecesse à delegacia para prestar esclarecimentos.
Ela afirma, porém, que desconhece o conteúdo do depoimento prestado por ele.
Conta bancária permanece sem movimentação
Outro fato que chamou a atenção da família foi a ausência de movimentações na conta bancária de Monique.
Silvana informou que solicitou o extrato da filha para verificar se havia ocorrido algum saque ou pagamento após o desaparecimento.
Segundo ela, a última movimentação ocorreu no dia 29, um dia antes do desaparecimento.
"Existe dinheiro na conta dela. Inclusive o benefício que ela recebe foi depositado no dia 3 de julho e continua lá. Desde o dia 29 não houve mais nenhuma movimentação", afirmou.
Para a mãe, esse detalhe reforça a preocupação, já que Monique nunca costumava permanecer tanto tempo sem entrar em contato com a família.
Silvana acredita que a filha possa ter sofrido uma forte crise depressiva e esteja desorientada, mas afirma que essa é apenas uma hipótese.
Ela também informou que todas as tentativas de ligação para o telefone de Monique caem diretamente na caixa postal.
Família pede ajuda
A família pede que qualquer pessoa que tenha informações sobre o paradeiro de Monique Oliveira Fernandes entre em contato pelo telefone (28) 99274-4024 ou comunique imediatamente à Polícia Civil.
Espaço permanece aberto
O Café com Política ES tentou contato com Mário Almeida Pinto para que apresentasse sua versão sobre os fatos e comentasse as declarações feitas por familiares e amigos de Monique. Até o fechamento desta reportagem, ele não atendeu às ligações nem respondeu às mensagens encaminhadas pela equipe.
O espaço permanece aberto e esta matéria será atualizada caso ele deseje se manifestar.
Café com Política ES