A retirada do anúncio do Restaurante e Chopperia Choppin, que durante muitos anos ocupou a frente do prédio do Monte Líbano, permite contemplar com mais clareza os traços de sua fachada. O olhar percorre novamente as linhas dos pavimentos, demora nos desenhos dos guarda-corpos e alcança as letras do nome que permanece no alto. Aos poucos, o edifício recupera a expressão com que aprendeu a fazer parte da paisagem de Bom Jesus do Itabapoana, preparando-se para acolher um novo capítulo de sua história.
O próprio Choppin deixou lembranças. Houve encontros, conversas e refeições sob aquele anúncio, incorporados à vida cotidiana da cidade. A placa agora retirada também pertence à história do lugar. A recuperação vai revelando, entre essas camadas de tempo, a arquitetura que as acolheu.
É bonito acompanhar a determinação do Dr. Carlos Henrique, sócio-proprietário da UniFAMESC, que adquiriu o prédio e se empenha em preservar a obra do libanês Merhige Hanna Saad. Existe uma delicadeza nesse compromisso: reconhecer o sonho de alguém que veio de longe e oferecer a ele condições de continuar vivendo entre nós.
Merhige deixou sua marca na cidade
Seu nome se liga a um edifício que abrigou a emoção de tantas pessoas, diante de uma tela, à espera de uma história. Agora, outras mãos trabalham para que esse patrimônio atravesse o tempo e volte a receber a vida cultural bonjesuense.
Nesse encontro entre a memória e os novos caminhos do edifício, o nome da UniFAMESC poderá também encontrar espaço na fachada, integrado com equilíbrio à composição arquitetônica e em harmonia com a identificação histórica do Monte Líbano. Se essa possibilidade vier a se concretizar, poderá expressar o vínculo entre a instituição que hoje cuida do prédio e o legado que lhe dá identidade.
Pensamos numa planta
Dentro de uma semente já repousa a possibilidade da árvore, mas é preciso haver terra, água, luz e cuidado. O crescimento acontece em harmonia: a raiz aprofunda seu caminho enquanto os ramos procuram o céu. Também o Monte Líbano, a cada etapa de sua recuperação, parece reencontrar a beleza que traz em si. Um detalhe reaparece, uma proporção se revela, a fachada respira.
Ainda há trabalho pela frente
A caçamba junto à calçada, os materiais e as marcas da obra pertencem a esse intervalo fecundo em que a transformação já pode ser vista, embora sua plenitude ainda seja promessa. Quem passa diante do prédio pode acompanhar esse lento despertar.
Essa é a emoção maior: perceber que a memória pode receber cuidados concretos. Que o afeto por uma cidade pode tomar a forma de uma parede restaurada, de um ornamento preservado, de uma porta que se prepara para abrir novamente.
O Monte Líbano vai recuperando seu esplendor. Suas raízes permanecem no sonho de Merhige Hanna Saad; seus novos ramos encontram amparo na determinação do Dr. Carlos Henrique e na atuação da UniFAMESC.
O restabelecimento do Monte Líbano devolverá à Praça Governador Portela mais um motivo de encantamento. Ao lado dos demais prédios históricos, sua fachada voltará a compor essa linda poesia que a cidade escreveu com janelas, sacadas e memórias. Cada edifício é um verso, cada detalhe guarda a delicadeza de um tempo, e o Monte Líbano, recuperando sua beleza, fará a praça ressoar com uma estrofe renovada, unindo a herança do passado à esperança do amanhã.
Quando voltar a florescer em toda a sua beleza, Bom Jesus do Itabapoana poderá reconhecer, nessa florada, algo de si mesma: a cultura que atravessou os anos, recebeu cuidado e tornou a vicejar, com os olhos voltados para o glorioso amanhã.
O Norte Fluminense



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