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sábado, 10 de janeiro de 2026

DENÚNCIA ESCANCARA BASTIDORES DA TRAMA QUE REVELA O SUBSOLO DA DISPUTA CONTRA PAULO MELO

Acusações graves, versões conflitantes e uma denúncia desmentida por familiares levantam suspeitas de uso político de um episódio familiar às vésperas do cenário eleitoral de 2026
No início de novembro de 2025, uma publicação aparentemente banal nas redes sociais da ex-prefeita de Saquarema e atual secretária de Governança, Manoela Peres, acabou se transformando no ponto de partida de um dos episódios mais controversos e delicados da recente política local. O que parecia apenas o registro de uma visita descontraída ao gabinete, ganhou contornos intrigantes quando se descobriu que a jovem retratada era Maria Clara (21 anos), neta do ex-deputado estadual Paulo Melo.
Aproximação
À primeira vista, o encontro poderia ser interpretado como um gesto cordial ou até institucional. No entanto, o histórico de animosidade entre as famílias Peres e Melo rapidamente lançou sombras sobre a iniciativa. Desde 2016, quando um rompimento político profundo colocou os dois grupos em lados opostos do tabuleiro eleitoral, qualquer aproximação passou a ser vista com desconfiança. Ainda assim, poucos poderiam prever o desdobramento que viria a seguir.
Denúncia
Segundo relatos que circulam nos bastidores políticos e agora ganham repercussão pública, Maria Clara teria sido convencida a formular acusações gravíssimas contra o próprio pai e contra o avô, Paulo Melo, envolvendo suposto abuso sexual. A denúncia, de acordo com essas versões, não teria surgido de forma espontânea, mas como parte de uma estratégia destinada a produzir impacto político e desgastar a imagem do ex-deputado, que já se lançou como pré-candidato para as eleições de 2026.
Controvérsia
O caso, no entanto, sofreu uma reviravolta inesperada. A mãe e a avó de Maria Clara foram à delegacia e prestaram depoimento afirmando que a jovem teria confessado que as acusações não passavam de uma mentira. Nos relatos às autoridades, ambas negaram conhecimento e disseram que jamais notaram qualquer sinal de abuso sofrido por Maria Clara.
As mesmas declarações trouxeram ainda outros elementos que tornam complexo o episódio. Segundo a própria mãe, Maria Clara mantém, desde dezembro de 2023, um relacionamento tóxico e abusivo com um advogado. O homem descrito pela mãe como alguém que exerce forte influência negativa sobre a jovem, inclusive incentivando o afastamento de familiares, parentes e amigos próximos.
De acordo com a vó, com quem Maria Clara reside atualmente, a neta teria sido presenteada a menos de um mês com um celular novo, cuja origem levantou questionamentos dentro da família.
Esse advogado, conforme os relatos, seria casado, pai de uma criança pequena, e teria migrado politicamente para o grupo dos Peres durante a campanha eleitoral de 2024. A conexão entre o relacionamento pessoal, o contexto político e o surgimento das acusações passaram, então, a ser vista por aliados de Paulo Melo como peça central de uma trama cuidadosamente montada.
Testemunhas, além de vídeos e fotografias, teriam sido reunidas para demonstrar que Maria Clara mantinha uma relação aparentemente saudável e afetuosa com o avô e outros familiares, sendo vista em momentos de convivência feliz e descontraída, até o início desse relacionamento. Para pessoas próximas, essa mudança brusca de comportamento reforçaria a tese de manipulação emocional.
O que diz a Lei
Especialistas em direito eleitoral avaliam que, caso fique comprovado que houve articulação política para instrumentalizar uma denúncia falsa com o objetivo de atingir um adversário, a situação pode ultrapassar o campo da imoralidade política e ingressar na esfera jurídica.
O artigo 22 da Lei
Complementar nº 64/1990 prevê que o abuso do poder político — inclusive por meio de atos que comprometam a normalidade e a legitimidade do processo eleitoral — pode resultar em sanções severas, como a cassação de registro de candidatura, diploma ou mandato.
Enquanto as investigações avançam, o episódio expõe um retrato incômodo da política local: a disposição de levar a disputa a um nível em que relações familiares, acusações extremas e a honra de pessoas passam a ser tratadas como instrumentos de combate eleitoral. Em meio à antecipação do cenário de 2026, o caso demonstra até onde determinados grupos estão dispostos a ir para eliminar adversários do jogo político.

Fonte: Gazeta 24h Rio

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