Os atendimentos hospitalares por acidentes envolvendo veículos de micromobilidade — patinetes, ciclomotores e bicicletas elétricas — explodiram no Rio. O aumento registrado na rede municipal foi de 700% em apenas um ano.
Os números traduzem a percepção do carioca, e são a consequência inevitável do caos. A tecnologia pode ser neutra, mas o uso que se faz dela não é. No Rio, a regra no trânsito vai do vale-tudo ao salve-se quem puder. Temos motoristas agressivos e donos da rua; ônibus que disparam, não respeitam seus passageiros nem quem os espera no ponto; e o pior, motocicletas para quem nenhuma regra parece valer: serpenteiam entre carros, trafegam pela contramão, arrancam retrovisores, arranham carrocerias, ameaçam pedestres e ultrapassam sinais vermelhos como se não houvesse amanhã.
Nos últimos meses, problema deixou de estar restrito aos veículos a motor. O descontrole avança para calçadas, ciclovias e praças, espaços que deveriam ser santuários dos mais vulneráveis. São adultos e crianças acelerando patinetes ou bicicletas elétricas que chegam a 30 km/h ou mais; ciclomotores potentes conduzidos por adolescentes de 13 ou 15 anos sem qualquer regra, respeito e bom senso. É comum vê-los trafegando em alta velocidade em calçadas, entre carros e entre as pistas de mão e contramão, quase sempre sem equipamento de proteção.
Na adolescência, a noção de risco diminui, cresce uma sensação de invulnerabilidade e surge uma necessidade de transgredir regras. E tudo isso aumenta quando estão em dupla ou em grupo. Some-se a isso a sensação de velocidade e liberdade que os veículos autopropelidos oferecem, e temos um coquetel explosivo que expõe nossos filhos e outras pessoas a graves acidentes.
Nas emergências, os relatos são de fraturas múltiplas, lesões medulares, traumatismos cranioencefálicos, abrasões extensas de pele — injúrias típicas de colisões automobilísticas, não de brinquedos ou “meios alternativos” de transporte. Um adolescente de 40 kg sobre um equipamento de 25 kg, a 30 km/h, é um projétil que pode matar tanto quem está na bicicleta quanto quem é atingido por ela.
Fonte: O Globo


em Bom Jesus está a mesma coisa. Cadê a Guarda Municipal?
ResponderExcluirficam 4 guardas na porta de 1 escola quando apenas 1 é suficiente....
Essa guarda municipal é um verdadeiro desperdício de dinheiro público. É só para dizer que tem, mas na verdade não serve de nada, só fica passeando de carro o dia todo.
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